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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Missionária mirim atrai estrangeiros em busca de milagres

Missionária mirim atrai estrangeiros em busca de milagres
Depois de ser citada em uma reportagem do “The New York Times” a pequena Alani Santos, 11 anos, passou a receber a visita de inúmeras pessoas de outros países interessadas no poder de cura que ela possui.
Alani é filha do pastor Adauto Santos, 48 anos, da igreja pentecostal Missão Internacional de Milagres que fica em São Gonçalo (RJ).
No cartaz posto na porta da igreja o dom da pequena missionária é exposto convidando os doentes a entrar. “Missionarinha Alani: Imprensa de todo o mundo veio entrevistá-la. Pessoas de muitos países alcançaram o Milagre”.
A reportagem da Folha de São Paulo fez questão de assistir a um dos cultos para presenciar a atuação da jovem. Nesse dia encontrou um italiano de 40 anos que veio ao Brasil exclusivamente para receber oração de Alani. Ele tem Aids e espera um milagre para se livrar da doença.

O pai da menina garante que o dom de cura é verdadeiro e que eles não enganam as pessoas. “Dizem que o que fazemos é exploração. Não é. Através do toque desta criança você pode sair daqui curado”.
O italiano recebeu a oração, mas ele tem consciência de que milagre não é mágica. “Quando ela me tocou, senti um perfume especial. Não acho que a cura funcione como mágica. Tem que orar todo dia”, disse ele à Folha.
Missionários mirins causam polêmica na comunidade evangélica
Alguns pastores opinaram sobre o dom dessas crianças, mas o que foi discutido mesmo foi a forma como elas são expostas.
Para o pastor Silas Malafaia essas crianças são exploradas por seus pais. “Isso não é comum. Está fora da estrutura psicológica e emocional da criança. É uma exploração por parte dos pais”, disse ele.
Já para o pastor Ed René Kivitz, a criança não tem maturidade para compreender os textos bíblicos e apenas decora e imita o comportamento dos adultos. “Ela pode, no máximo, decorar discurso e mimetizar o comportamento adulto”.
O professor da Unicamp, Ronaldo Rômulo Machado de Almeida, especialista em pentecostalismo, diz que o fenômeno das crianças pregadoras se insere numa tendência de igrejas terem como pregadores figuras “extremas”.
Ele chama de figuras “extremas” personagens como criminosos que se converteram ou deficientes físicos curados e até mesmo as crianças. “É uma demonstração de que Deus usa qualquer um. [Isso] Produz ânimo espiritual nas pessoas”, garante o professor.


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